Mostrando postagens com marcador Gramática. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gramática. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 27 de abril de 2020
quarta-feira, 22 de abril de 2020
A variedade não padrão
Leia este breve diálogo
entre um paí e um filho adolescente:
–
Filhão, você anda meio desligado; precisa encarar com mais seriedade os
estudos, senão, no fim do ano, você vai se dar mal.
–
É mesmo, pai... tem razão... Eu só tava sando um tempo; agora vou pegar
firme, porque não quero passar sufoco que nem ano passado.
|
Nesse
texto, a situação de comunicação é informal
– um bate-papo entre pai e filho –, por isso os dois interlocutores fazem uso
de uma variedade linguística denominada não
padrão, coloquial ou coloquial-popular. Essa variedade,
empregada pela maioria absoluta das pessoas em suas relações sociais do dia a
dia, caracteriza-se pela despreocupação dos falantes com as inúmeras regras da
gramática normativa – emprego de plurais, de concordâncias, de flexão dos
verbos etc. – e pela presença frequente de expressões populares, de frases
feias e de gírias. Fazendo uso da variedade
coloquial é que nos comunicamos de maneira espontânea e informal com nossos
familiares, vizinhos, colegas e amigos.
terça-feira, 21 de abril de 2020
As variações da língua padrão: língua culta formal e língua culta informal
O
trecho abaixo, extraído de uma entrevista dada por um psicóloga, exemplifica o
emprego da variedade padrão em sua modalidade formal (língua culta formal).
Leia-o.
Como
você pode notar, a socióloga, em seu discurso,
optou pelo emprego de frases mais longas, por ordenações pouco comuns das palavras
e por um vocabulário mais elaborado e especifico, adequando assim seu “modo de
falar” à situação de comunicação: uma entrevista tratando de um tema
relacionado à profissão dela.
Isso
não significa que, quando usamos a variedade padrão, somos obrigados a empregar
um vocabulário mais “difícil” e frases “complicadas”. Dentro da própria
variedade padrão existe a possibilidade de adequarmos nosso nível de linguagem,
isto é, podemos falar/escrever de maneira mais formal ou menos formal,
dependendo do contexto em que se
realiza o ato de comunicação. A respeito desse aspecto da língua culta, leia
este texto:
A língua
culta formal, pode ser empregada quase que exclusivamente na escrita, é
mais “fixa” ao longo do tempo, ou seja, modifica-se menos que a língua culta informal, que se usa
mais na comunicação falada.
Um exemplo dessa diferença: a gramática
normativa propõe, para o padrão culto, as formas: eu vou, tu vais, ele vai,
nós vamos, vós ides, eles vão, no entanto, na maior parte do Brasil, a língua culta falada emprega eu vou, ele/você/
a gente vai, nós vamos, vocês/eles vão.
É nesse português, distanciando da
tradição, que apresentados os noticiários de rádio e TV, que são compostas,
em sua maioria, as músicas populares, que os professores dão nas aulas; é
esse português que acaba também sendo empregado nos textos escritos
cotidianos (jornais, revistas, anúncios publicitários etc.)
Fonte de pesquisa: TRANSK, R.L. Dicionário
de linguagem e linguística.
Tradução e adaptação: Rodolfo Ilari.
São Paulo: Contexto, 2004. p .327.
|
segunda-feira, 20 de abril de 2020
Variedades linguísticas
A variedade padrão
Vimos
que a gramática normativa considera
“correta” a construção “Com licença, o que vocês estão fazendo?” e “incorreta”
a construção “Cum licença, o que oceis tá fazeno?”. Mas... se essas duas
“formas de dizer” exprimem a mesma ideia, se qualquer falante do idioma pode
compreendê-las perfeitamente, por que a gramática normativa só aceita como
correta a primeira construção? Afinal, que critérios são empregados para
definir o que é “certo” e o que é “errado” na língua?
Os
parâmetros e regras que determinam a norma
(padrões de uso) da língua portuguesa foram sendo estabelecidos e fixados ao
longo do tempo, principalmente pela ação de dois instrumentos sociais: a escola
e os meios de comunicação (livros, jornais, revistas, noticiários de rádio e TV
etc.) Convém lembrar que, antigamente, frequentar a escola e compara livros e
jornais eram privilégios de poucos, ou, como se diz popularmente, eram “coisas
de rico”.
A
escola e os meios de comunicação sempre consideram modelar – digna de ser
imitada – a variedade linguística da classe social formada pelos falantes de
maior prestigio social (maior nível
de escolaridade, maior influência política, mais poder econômico). Essa
variedade, chamada de variedade padrão,
serviu de base para a elaboração das gramáticas normativas e , aos poucos, foi
sendo imposta aos falantes de todas as classes sociais como o “modelo ideal” de
língua, como o “padrão” a ser seguido para falar ou escrever “corretamente” o
português.
A
variedade padrão – também chamada de
língua padrão, norma urbana de prestígio ou língua
culta formal – tem emprego em situações muito especificas e é usada
principalmente na escrita. Os documentos oficiais (leis, sentenças judiciais
etc.), os relatórios e livros científicos, os contratos empresariais, os
discursos em determinadas situações sociais, as solicitações de emprego etc.
são exemplos de textos em que essa variedade linguística é usualmente
empregada.
sábado, 18 de abril de 2020
A outra gramática
Vamos comparar
estas duas formas de construção de uma mesma frase:
Sem
dúvida, as duas formas dizem a mesma coisa; ambas são absolutamente
compreensíveis para falantes da língua portuguesa. A única diferença entre ela
é que a construção 2, além de ter
sido estruturado de acordo com a gramática (sistema de funcionamento) da
língua, foi também construída segundo as regras de uma “outra” gramática,
chamada de gramática normativa.
A gramática normativa é um conjunto de
regras de orientações e regras que estabelece seus critérios de “certo” e
“errado” baseando-se na maneira como o idioma vem sendo empregado, ao longo do
tempo, por usuários considerados, na perspectiva dessa gramática, falantes
“exemplares” da língua: escritores consagrados, gramáticos tradicionais,
juristas, jornalistas influentes e outros intelectuais.
Assim,
frases como “Cum licença, o que oceis tá fazeno?”, “Nóis pega uma mula e sorta ela. “e” Nóis
quebra o gaio com uns engenheiro.” São corretas do ponto de vista linguístico,
mas são consideradas incorretas na perspectiva da gramática normativa, uma vez
que não se enquadram nas regras – padrões tradicionais de uso – propostas por
essa gramática.
Existem,
portanto, duas gramáticas, que podemos definir assim:
Então, se considerarmos, nessas duas perspectivas de análise, as
duas formas de construir a frase apresentadas, teremos:
- na perspectiva
da gramática internalizada → certo
- na perspectiva da gramática normativa → errado
- na perspectiva da gramática internalizada → certo
- na perspectiva da gramática normativa → certo
quarta-feira, 22 de maio de 2019
Introdução a gramática
Já faz alguns
anos; por isso, você provavelmente não se lembra de que, algum tempo depois de
iniciada sua vida escolar, um de seus professores do Ensino Fundamental
apresentou à “gramática”. A partir daí, todos os seus professores de Língua
Portuguesa foram, pouco a pouco, tentando lhe ensinar as “regras gramaticais”.
Esse processo
pode ter-se desenvolvido por meio de diferentes métodos de ensino, mas
aconteceu com você e com todos que frequentam ou já frequentaram a escola.
É por isso
que, se perguntarmos a qualquer pessoa o que é “gramatica”, ela responderá,
meio em tom de brincadeira: é uma coleção imensa de regras que eu nunca
consegui.”, ou dirá: é um livro que ensina as regras de português.” Se também
perguntarmos a uma pessoa quantas regras de gramática ela conhece, as respostas
serão mais ou menos assim: “Nenhuma.”, “Umas duas ou três.”, “ No máximo, uma
meia dúzia.”
E você?
Quantas regras de gramática acha que sabe?
Não se
surpreenda, mas, com certeza, você domina mais de mil regras gramaticais. É
isso mesmo: mais de mil! Talvez até muito mais... umas 1500!
A gramática da língua
Leia este pequeno texto humorístico.
Especialistas
Um caboclo, vendo uma movimentação de homens e equipamentos perto do
sitiozinho onde ele morava, vai até lá e pergunta a um deles:
– Cum licença, moço, o que oceis tá fazeno?
– Aqui vai passar uma rodovia – responde o homem – e nós somos os
engenheiros e técnicos. Com esses equipamentos nós vamos definir por onde a
estrada vai passar.
– Oia, moço, o senhor vai discurpá, mais aqui no sertão nóis faiz
estrada de outro jeito. Nóis pega uma mula e sorta ela. Onde ela
passá... aí é o mió de abri a estrada. Num tem erro!
O engenheiro, achando graça na simplicidade do capiau, diz, sorrindo:
– É mesmo? Não me diga! Mas... e se vocês não tiverem uma mula?
E o caipira:
– Ué... aí nóis quebra o gaio com uns engenhero... (Texto do domínio
público)
.
|
Agora responda, oralmente: qual dos
dois personagens dessa piadinha fala bem português e domina a gramática?
Perguntando de outra forma: qual deles você acha que fala “certo” e qual fala
“errada”?
Se fizéssemos essas perguntas a
diferentes falantes do português , quase todos afirmariam que só o engenheiro
sabe o idioma, pois ele fala “corretamente”. Essas pessoas também diriam que o
caboclo não conhece gramática, por isso fala “errado” Haveria até opiniões
preconceituosas, tais como: “Ele fala de um jeito feio”. Opiniões desse tipo
são o resultado de uma confusão que normalmente ocorre entre língua, gramática e gramática
normativa.
Na realidade, o caboclo da historinha
sabe – e muito bem – falar português, tanto é que ele conversou com o
engenheiro e os dois se entenderam perfeitamente. E que língua ele usou para se
comunicar? A língua portuguesa, é claro. Como todo falante de um
idioma, ele se expressou empregando uma “forma de falar” que está acostumado a
usar em dia a dia.
Mas... e quanto a gramática?
Afinal, o personagem sabe ou não sabe
gramática?
Para refletirmos a respeito dessa
pergunta, vamos retomar este trecho da fala dele.
É claro que o
personagem, usando essas mesmas palavras, poderia ter escolhido outras maneiras
de construir a frase. Assim, por exemplo:
Mas, certamente, ele não usaria, as palavras numa
ordem como esta:
E por que ele
jamais falaria assim?
Ele não
ordenaria as palavras dessa maneira porque, desde que nasceu e começou a
ouvir e, depois, a falar, ele foi internalizando, isto
é, foi aprendendo, na pratica, que sequências como essa não são válidas no
português, não respeitam o sistema de funcionamento da língua portuguesa.
É
esse sistema
de funcionamento que recebe o nome de gramática da língua,
e é pela prática diária, como falantes e ouvintes, que todos nós
assimilamos, internalizamos o
conjunto das mais de mil (talvez 1500) regras que regulam o funcionamento de nosso
idioma.
Nosso conhecimento
prático, como falantes do português, permite-nos, então, estabelecer uma
clara diferença entre “Cum licença, moço, o que oceis tá fazeno?” e “*Tá
cum, moço, o que o fazeno licença oceis?” Assim:
Assinar:
Postagens (Atom)











